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SMAM2015 – Trabalho e amamentação

agosto 1, 2015

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06092011-EnsaioRecemNascido-Julia-baixaresolucao-77 Existe momento mais lindo de se presenciar e viver do que alimentar uma criança em seu próprio seio? Sublime e complicada, ao mesmo tempo, a amamentação é um dos grandes desafios das mulheres após o parto. Se por um lado, o Ministério da Saúde e a OMS recomendam amamentação exclusiva até os 6 meses de idade do bebê, por outro a legislação brasileira ainda limita a licença maternidade em 120 dias, nas empresas privadas, medida essa que por vezes interrompe precocemente esse vínculo. De acordo com dados do Ministério, apenas 66% das mulheres conseguem manter a amamentação até 1 ano de idade, após retorno ao mercado de trabalho. Com o tema “Amamentação e trabalho”, a Semana Mundial do Aleitamento Materno 2015, vem trazer luz à necessidade de construção de rede de apoio para as mães que não querem desmamar os filhos. Doutora em Psicologia Social, com foco em Desenvolvimento Infantil, Gestação e Parto e coordenadora do Espaço AMA – Psicologia e Bem-Estar, Aline de Melo Aguiar, ressalta que sem o apoio emocional e logístico dos familiares, do companheiro e do pediatra fazem toda diferença.

Jaqueline Porto Fotografia – Sabemos que muitas mulheres não conseguem amamentar até os 2 anos da criança por precisarem voltar ao mercado de trabalho, o que por vezes compromete o contato entre mãe e filho. O que os empregadores podem fazer para melhorar esse quadro e assim terem empregadas mais satisfeitas?

Aline de Melo Aguiar – Creio que seja importante esclarecer às mães que o contato com o bebê pode acontecer por diversas maneiras, não só através da amamentação. Digo isto porque as campanhas de amamentação, muitas vezes, trazem uma enorme culpabilidade para as mães que têm dificuldades para amamentar e/ou manter a amamentação exclusiva até os seis meses e prolongada até os dois anos. É inegável que a amamentação traz muitos benefícios e que deve ser mantida o máximo de tempo possível, entretanto, a troca afetiva entre mãe e bebê não acontece apenas nesse momento. Assim como o bebê também estabelece laços afetivos com outros parentes que não o amamentam diretamente ao seio. Acredito que o apoio familiar e do setor trabalhista são fundamentais para a amamentação prolongada, mas apoiar sem culpabilizar. Grandes empresas, como por exemplo, o BNDES, possuem licença maternidade de 180 dias e sala de apoio à amamentação (Salas criadas para oferecer um ambiente adequado para a coleta de leite materno durante o horário do expediente). Estas iniciativas são fundamentais para a manutenção da amamentação prolongada e a manutenção da mãe de um bebê pequeno no mercado de trabalho. Hoje em dia, a mulher no mercado de trabalho é uma realidade irreversível. Não podemos desconsiderar que nossa legislação trabalhista concede apenas 120 dias de licença maternidade e não os 180 dias indicados para o aleitamento exclusivo, gerando uma incoerência entre saúde e trabalho e, por vezes, o desmame precoce.

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JP – E como fica o papel da família no auxílio a essa mulher que deseja e precisa continuar a amamentação mesmo voltando a trabalhar. Como eles podem ajudar, principalmente no caso do não incentivo do empregador?

Aline – O suporte precisa vir de uma rede de apoio ampla, que envolve a família, o companheiro, a empresa e a sociedade como um todo. Hoje em dia existem muitos grupos de apoio à amamentação nas redes sociais na internet e sites com informações relevantes à disposição das mães. A família é um apoio fundamental, por atuar tanto na logística quanto no apoio emocional. O principal apoio é empoderar a mãe a acreditar que pode amamentar. Quando a mãe se sente segura no seu papel materno, segue adiante na amamentação.

JP – Na sua opinião, quais mudanças de baixo custo as pequenas e médias empresas podem promover para incentivar a amamentação prolongada para suas funcionárias?

Aline – Criar salas de apoio à amamentação para que a mulher que volta da licença maternidade e ainda amamenta, tenha um local apropriado para extrair leite materno que pode ser levado para casa ao final do expediente. Essas salas não necessitam de uma infra-estrutura cara para montagem e manutenção. A estrutura mínima compreende cadeira, pia e geladeira.

JP – Em alguns casos, o término da licença maternidade combina com o começo da introdução alimentar para os bebês e algumas mulheres comentam que isso facilita a criança a largar o peito. Como a mulher e a família podem lidar com isso sem prejudicar a amamentação?

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Aline – A introdução alimentar está prevista para ser iniciada aos 6 meses de vida do bebê. Dessa forma, naturalmente a amamentação diminui e deve ser mantida pela manhã e à noite o máximo de tempo possível.

A ordenha de leite materno ao longo do dia de trabalho, manterá a produção do leite constante. Isso é fundamental, pois a produção de leite só ocorre se há estimulo, seja da sucção do bebê ou da extração do leite por ordenha manual ou com bomba. Este é um caminho para manter a amamentação prolongada. O grande problema é quando o ambiente de trabalho não permite que a mãe tenha um local adequado e tempo durante o expediente para esvaziar as mamas. A colaboração dos colegas de trabalho e da chefia também são fundamentais para propiciar os intervalos adequados para a extração do leite. Lembrando que banheiro não é local adequado para retirar leite materno, por conta de contaminação.

JP – Na prática do dia-a-dia, quais dicas você pode dar para as mulheres que precisam trabalhar, mas não querem deixar de amamentar?

Aline – Oferecer a mama antes de ir ao trabalho e quando voltarem, pois sem estímulo, não há produção de leite. É importante que as mães vejam que a amamentação ocorre durante um período de tempo muito curto, se compararmos ao ciclo vital total da pessoa (cerca de 80 anos). Além dos benefícios nutricionais, é um momento único para a dupla mãe-bebê. Este é um ótimo incentivo para superar as dificuldades e cansaços com a dupla jornada mãe-trabalhadora: os bebês crescem rápido, aproveitem bastante este momento único.

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JP – Quais são os malefícios para a autoestima e o emponderamento das mulheres que acabaram parando de amamentar porque voltaram a trabalhar?

Aline – Parar de amamentar repentinamente e por motivos alheios à vontade da mãe são muito ruins para as mães. Quando falamos em desmame, não estamos falando apenas do bebê, pois a mãe que amamenta também fará um desmame. O desmame gradual tanto da mãe quanto do bebê é a condição ideal. Conforme o bebê cresce, vai se adaptando ao mundo e tendo necessidade de se expandir para o mundo. Dessa forma, o desmame no colo, do peito, da mãe, vai acontecendo naturalmente e não afeta a auto estima da mãe, pois esta percebe o bebê se abrindo para o mundo e conquistando novas fronteiras. Após o primeiro ano, com o desenvolvimento da linguagem verbal, a relação da mãe e do bebê ganha uma nova dimensão. O contato com  peito, aos poucos vai deixando de ser a única forma de mãe e bebê se relacionarem.

JP – É possível dizer que muitas mulheres ainda não reconhecem a importância da amamentação prolongada e optam, sozinhas, por interromper isso ao voltar ao mercado de trabalho?

Aline – A rotina da mulher moderna que precisa cuidar da casa, do bebê, amamentar, ganhar dinheiro, e ainda estar linda e disposta para o marido não é fácil. As mães ficam entre a cruz e a caldeirinha e não adianta porque não dá para fazer tudo. Infelizmente, muitas vezes a amamentação fica prejudicada, pois o leite artificial e a comida darão conta do bebê crescer. Claro que não é o melhor alimento para a criança, mas cada família tem suas dificuldades e necessidades que precisam ser sanadas. E quando há o retorno ao trabalho, com a fadiga do expediente, do ir e vir nos transportes público, da distância da casa ao emprego e, também, de empresas não apoiadoras da amamentação, se encarregarão do desmame precoce… Infelizmente.

JP – Qual é o papel do pediatra no auxílio a essa mulher que deseja continuar amamentando?

Aline – Não assustar a mãe com questões relacionadas ao ganho de peso do bebê. Uma mãe confiante tem mais possibilidades de amamentar exclusivamente ao seio. Apoio emocional da família, apoio logístico da empresa e informação sobre aleitamento materno, que podem ser fornecidos pelo pediatra, por exemplo, compõe uma importante rede de apoio, promoção e proteção ao aleitamento materno.

O pediatra pode orientar sobre como como tirar e armazenar o leite materno, bem como a quantidade de leite necessária para a idade do bebê.

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JP – O Brasil ainda está muito atrasado na legislação de proteção ao aleitamento prolongado? O que já mudou positivamente?

Aline – O incentivo fiscal para as empresas que estendem a licença maternidade a 180 dias, a portaria referente a criação de sala de apoio à amamentação, são alguns exemplos.

No trabalho, o chefe e sua equipe trabalho podem apoiar quando entender que é necessário tempo e local apropriado para a ordenha do leite. Este simples ato vai manter a produção de leite e evitar que a mãe tenha um engurgitamento ou mastite logo que voltar ao trabalho, por conta da alteração repentina no ritmo das mamadas.

Para conhecer mais sobre o trabalho do Espaço AMA, clique aqui

Para saber mais sobre as salas de apoio à amamentação, clique aqui

Grupo Virtual sobre amamentação no Facebook, clique aqui

Cartilha sobre amamentação em PDF, baixe aqui



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