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Carta à Isadora :: Relato de Parto Humanizado

maio 11, 2014

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O post de hoje não é meu!
Nenhuma dessas palavras me pertence, são fragmentos importantes da história da Ninna, da Isadora e do Ricardo e eu não poderia escrever melhor que essa mulher que nasceu e renasceu mãe junto com o parto de sua filha. Só quem decide ser mãe compreende o quão louco pode ser esse sentimento e entre os dias 16 e 17 de abril desse ano, eu tive a grata oportunidade de de ser espectadora do ápice dessa incrível jornada chamada: Ter um filho.
O parto da Isadora durou 22 horas, das quais 18 eu estava lá, vendo, me emocionando e registrando. Cada contração, cada gemido de dor ecoava em meus ouvidos e me entorpecia como uma bela canção. E hoje, em pleno Dia das Mães, escolhemos que o resumo afetivo desse dia seria meu em homenagem a data.

E de uma mãe de 1ª viagem para outras mães, trago para vocês as palavras da Ninna e do Ricardo

Carta à Isadora

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Minha pequena,

Quando resolvi eu iria ser mãe, o que demorou 10 anos do lado do papai para ter essa decisão, resolvi que seria a melhor mãe que eu poderia ser. A mamãe tinha muitos medos, muitas angústias dentro dela, que a impediam de querer ter filhos. A mamãe achava que não era capaz de criá-los com saúde, ou com o amor necessário, tinha medo do desconhecido. Puro engano da mamãe. Um dia, numa conversa muito longa com o papai, resolvemos que teríamos você e seus futuros irmãos. Foi preciso muita coragem para sair da comodidade que era a vida que tínhamos para nos arriscar a essa grande aventura.

Demoramos dois longuíssimos anos tentando tê-la. Isa, 24 meses sem a perspectiva de você é muito tempo. É tempo demais.

Antes de você, veio seu irmão cometa. Mal descobrimos que ele (ou ela) existia, e ele(a) já havia partido. Mamãe sofreu muito… E teve de lutar com muitos doutores para não cair numa cirurgia desnecessária. Pois mamãe, apesar de toda a tristeza daquela hora, queria ter você. Da forma mais saudável possível. O mais rápido possível. Mamãe descobriu naquele dia, mesmo já sem o cometinha, que era a mãe mais poderosa que poderia ser. Descobriu que mesmo triste era capaz de virar o mundo ao avesso apenas por ser mãe. E que a partir daquele dia, a mamãe era uma leoa.

Isso me deixou pronta para ter você. E você veio mais rápido do que pensávamos! Apenas um mês depois disso tudo.

Ficamos tão felizes, meu amor!

E mamãe, que já era leoa, resolveu que lhe traria da forma mais saudável possível. Isso exigiu da mamãe muito mais que arrumar seu quarto (o que demorou também bastante!), ou escolher suas roupinhas. Exigiu da mamãe estudar o triplo do que ela já sabia. E isso gerou uma revolução aqui em casa! Mudou padrões, mudou conceitos, mudou tudo!

E de acordo com isso, resolvemos que o melhor e mais saudável  para nós duas seria tê-la aqui em casa. Onde você foi gerada com tanto amor! Sabe, Isa, as paredes daqui de casa tem estórias para contar! Cada móvel, cada pedaço construído daqui, tem um conto, uma lembrança, um momento… Como não querer que essa casa conte também a sua estória? A nossa estória?
Fazer isso acontecer também foi travar uma guerra. Travamos guerra com mais um tanto de doutores que diziam que seria impossível. Com um tantão de gente que dizia que era loucura da mamãe. Mamãe foi chamada de hippie (bem gostaria de ser, quem sabe um dia, né?), de natureba, de índia, de masoquista (ainda vai demorar para você saber o que isso significa), de xiita…

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E tudo o que a mamãe é, pode ser resumido em: mãe herege com muito amor por você pequena Isa!

Achamos um médico muito bacana que entendeu o desejo da mamãe em te trazer naturalmente. Tio Rodrigo foi o único que topou essa jornada e fez do pré-natal uma jornada ara que você viesse da forma mais saudável e natural possível!
Enfim… Você resolveu que também não seguiria esses padrões malucos que impuseram por aí. Você quis ficar na barriga da mamãe por mais tempo. Foram 42 semanas e 1 dia de espera.  Com 41 semanas nós ensaiamos um trabalho de parto. Passamos 6 horas nesse ensaio, mas você resolveu que ainda não era hora. Com 41semanas e 6 dias, você deixou a mamãe maluca quando resolveu dormir até mais tarde que o costume. Tia Cátia e tia Bernadette é que conseguiram acalmar a mamãe… Seu pai que já tinha preparado uma banheira deliciosa para você teve de desmontar no nervoso da mamãe. Tia Bernadette teve de mandar remontar tudo. Já que você estava magnificamente bem, porque desistir de ter você em casa, não é mesmo?

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No dia seguinte, de manhã, você deu os primeiros sinais que estava a caminho. Mamãe não deu muita bola. Tomou um baita café da manhã, lavou louça, ajudou o papai a preparar o almoço. Mas já não dava para duvidar da sua vinda. As contrações eram fortes, bem evidentes e muito próximas… Era difícil respirar. Chamar a tia Cátia foi a primeira coisa a se fazer… E a tia Marilanda e a tia Rosana também. Avisamos ao tio Rodrigo por email (ele prometeu um ímã de Nova York pra ti, viu!) e a tia Bernadette. E chamamos a tia Jaque para fotografar sua vinda.
As contrações, apesar de toda sua evidência e proximidade não eram tão dolorosas assim. Mas dava trabalho para se movimentar, e isso era necessário. Mamãe dançou muito, rebolou muito, teve até rebozo para lhe deixar numa posição mais confortável para que eu pudesse me mexer melhor.

Tia Cátia massageava bastante minhas costas, aliviava assim as dores lombares. De vez em quando eu sentava na bola de pilates, outras vezes só andava mesmo pela casa.
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O ambiente era muito bom! Todos nós alternávamos conversas muito divertidas com o silêncio profundo. E o tempo foi passando. Na banheira, pude ter lampejos de estar fora de mim. Isso foi aterrador e glorioso ao mesmo tempo. Aterrador porque eu queria estar consciente o tempo todo para perceber você. Glorioso porque vi constelações, galáxias, supernovas… ( sim , a mamãe é muito, muito nerd! Ainda iremos assistir juntas a série Cosmos – antiga e nova).

Vi seu avô. Isso foi algo transcendental.

Vi memórias a muito esquecidas. E isso me deixou com medo, e com uma necessidade muito grande de poder encarar de frente essa nova jornada com você sem os ecos dessas lembranças. E isso, pequena Isadora, foi a coisa mais difícil que pude fazer na vida. É como mexer num vespeiro sem luva, sem máscara, sem nada.
Lembro que em um dado momento da noite seu pai pediu pizza. O cheiro estava delicioso… O gosto também, embora eu não me recorde do que era. Mas meu desejo era por uvas…

Pequena, o tempo foi passando e nada de você querer aparecer. Isso foi cansando a mamãe lá pelas quatro da manhã. E isso foi deixando a mamãe com dores muito fortes. Dores tipo ondas. Quando eu achava que não ia suportar mais, elas do nada desapareciam. E quando eu dava meu suspiro de alívio, elas vinham outra vez. Me deu uma vontade de ficar entocada no quarto. Nem sei quantos travesseiros eu coloquei pra me amparar na cama em posição de 4 apoios.

E eu seu pai nos atocaiamos no box do banheiro para banhos longos também. A água quente era um alívio muito bom! E seu pai me ajudava a achar posição, a sentar na bola, me contava piadas para que eu risse, amparava meu choro que já não era pequeno e nem esparso. Eu chorava o tempo todo. Não era só da dor que ia e vinha, mas do cansaço, do medo de você não vir. Quem me acalmava era seu pai. O som da voz dele me dava paz. Me dava certeza. E cada banho que saíamos, saíamos mais fortes e mais confiantes em você e em mim também.

O momento mais tenso foi quando deu oito da manhã. Mamãe estava exausta mesmo.  Tia Marilanda e tia Rosana vieram no quarto conversar comigo e com seu pai. Precisávamos de ajuda. Mamãe sozinha não daria conta de te trazer. Minhas contrações apesar de estarem presentes e próximas, eram curtas e não havia mais força motor. Era preciso lançar mãos de medicamento. Eu já estava com dilatação total havia umas três horas. Sua bolsa até então estava intacta ( e assim permaneceu ate uns quinze minutos antes de você coroar).

Isa, esse momento me encheu de pânico. Eu sabia que a Marilanda estava certa. Mas me sentia incapaz de tê-la. Seu pai pediu um tempo para que pudéssemos tomar outro banho. Conversamos e eu chorei muito por muito tempo. Seu pai me disse para que eu não me sentisse derrotada, pois estávamos em casa, você estava bem (magnificamente bem por sinal), estávamos amparados. Ele me lembrou que era para isso que tínhamos uma equipe conosco. Era para esse tipo de momento. Não era para apenas bancar observadores passivos. Mas para que pudéssemos ter segurança em casa. E que estávamos seguros.

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E assim foi feito. Posto a medicação na mamãe, tudo ficou mais forte. E mais doloroso também. Mas foi preciso mais.

Porque você Isadora queria vir de testa. Não queria fletir a cabeça nem por um decreto. E sua parteira teve de dar uma mãozinha. Isso também não foi fácil. Precisou convence muito a mamãe. Toquei você com meus dedos… Foi incrível. E isso me deu forças. Eu precisei tomar uma decisão das mais importantes… Precisei abrir mão de mim mesma. Por você. E faria isso mais umas mil vezes.

Você veio na cama querida! Exatamente onde foi concebida. Com ajuda. Lembro-me de sentir seu nariz rotacionando dentro de mim. Lembro-me de sentir uma queimação gigante… Lembro-me de ouvir várias vozes ao meu redor com palavras de incentivo nos puxos… Lembro-me de estar com as mãos agarradas em outras mãos (tia Cátia de um lado e papai do outro).

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E você veio minha pequena! De olho aberto! E com duas circulares! Assim que tia Marilanda e Rosana desfizeram os laços, você veio direto ao meu colo! Nossa como chorei de alegria! Não conseguia acreditar que tínhamos vencido essa batalha!

Quando dei por mim, estava te lambendo, contando seus dedos, cheirando incansavelmente seu rosto… Te beijava sem parar!

Seu pai se debulhava em emoção pura! Imagino o quanto ele tenha ficado apreensivo com sua chegada e com as dificuldades enfrentadas, mas ele foi forte como uma rocha. Seu pai foi um herói!

Ele cortou seu cordão apenas quando parou de pulsar, e deixamos de ser Una. Você chorou e eu nunca ouvi algo tão belo.

Filha, você veio ao mundo com muito amor desde o início, mas mais que isso, você veio com o respeito que temos pela sua fisiologia. Acreditamos na sua capacidade desde o início e eu me fortaleci quando você nos deu a lição maior de paciência e humildade durante sua gestação. Você foi desde dentro do meu útero minha maior mestra e acredito piamente que ainda tenho muito a aprender com você. Continuamente.

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Te amamos muito e cada dia mais, minha pequena.

Um beijo mais que estalado, um cheiro mais que profundo.

Mamãe e Papai.

Parto-Humanizado-Isadora-43 Equipe de Parto:
Doula: Cátia Carvalho
Parteira: Marilanda Lima
Parteira auxiliar: Rosana dos Santos
GO de Backup: Bernadete Bousada



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