“Não existe segredo na fotografia de pessoas, exceto a intimade “ (Willian Allard)
De todas as frases que eu já li sobre fotografia, essa é que eu considero a maior verdade.
Quem fotografa GENTE precisa da intimidade.
Esse direito de entrar no mundo do outro é artigo primeiro em nosso trabalho, sem o qual bons sentimentos não virão à tona. Me arrisco a dizer que intimidade é um prêmio, algo que só ganhamos quando há conquista. E para haver conquista tem que ser natural.
Com a Clara, tudo que eu imaginava conhecer sobre como interagir com uma criança, caiu por terra. Trocando em miúdos, ela me “deu um banho”. Muito antes da data de seu aniversário, a mãe dela me procurou para fazermos um ensaio família e foi ai que começou todo o desafio. No dia marcado, cheguei na casa dos avós da Clara e ela simplesmente não “foi com a minha cara”. Assim como dois e dois são quatro, Clarinha ficou me observando e quando montei o equipamento, começou a chorar. Reunirmos forças, papai, mamãe e os avós para tentar entender o que estava acontecendo e como poderia ser resolvido. Ela chegou a se acalmar, descemos para a praia, mas pouco adiantou.
Definitivamente, não era o nosso dia. Ela simplesmente não queria e, nesses casos, o desejo da criança é soberano. Cancelamos o ensaio.
Confesso que voltei pra casa pensando: o que foi que eu fiz de errado? E também frustrada, claro. Estava um dia lindo, com aquela família mais linda ainda e nada aconteceu.
Alguns meses depois, o aniversário. Sai de casa mais cedo que o habitual, quis realmente chegar o quanto antes possível, na Baladinha Casa de Festas, para poder me ambientar e já estar relaxada quando a Clara chegasse. Ela chegou! Um pouco antes também do horário da festa começar e foi direto para os brinquedos. Nenhum convidado tinha chegado ainda e essa era a nossa hora. Era agora ou nunca! Ana Luiza, mãe dela, me explicou que achava que a Clara tinha ficado com medo do tamanho da câmera e juntas decidimos sentar do ladinho dela, devagar, e eu fotografia as duas brincando e depois tentaria dar um jeito dela me ver e não abrir o berreiro.
Sabem como foi?
Precisei tirar váriassss fotos dela brincando com a mãe e a cada foto eu mostrava a câmera pra ela, passava as fotos na tela e explicava o que estava ali. Ela parecia calma, mas distante ainda. Mas, graças aos deuses da fotografia, existia uma piscina de bolinhas e como toda criança, ela queria se esbaldar lá dentro. Pronto, foi a minha outra chance. Tirei o sapato, coloquei a meia e entrei com ela na piscina. A mãe se afastou, os convidados ainda eram poucos e ficamos só nós duas.
Ufa! Eu a conquistei.
O resultado desse dia tão inusitado vocês conferem abaixo.
PS: a decoração encantadora da Galinha Pintadinha é obra da talentosa Mara Rúbia
Santa piscina de bolinhas
Ah, e a primeira vez que ela comeu batata frita ao longo de seus dois anos de vida
Agora, os amiguinhos. Cada figurinha…










Adoro essa foto. Esse biquinho das duas é muito Gilmore Girls
A hora do parabéns
E antes de partir, esse olhar…

























































































